Há uns anos atrás, quando casei, sabia desde logo que haveriam uns fim de semana, feriados e alguns dias de semana, que iria “ficar sozinho” devido a obrigações profissionais da minha “cara-metade”. Isto, para não falar no primeiro ano de casados que vivíamos em cidades diferentes, e só nos víamos quinze em quinze dias, caso não estivesse de serviço.
Nos primeiros tempos até era fixe…ia ter com os amigos, bebia uns copos, dava um salto até ao bar onde parava, ouvia um pouco de música. Houve dias que até “chulava” um jantar na casa da “velhota” (desculpem as expressões, mas não têm sentido pejurativo), que na ocasião até fazia sempre um dos meus pratos preferidos.
De manhã, cruzávamo-nos…eu a ir para o trabalho e a minha mulher a regressar. Outras das vezes, o turno era diferente e eu fazia questão de a ir buscar de madrugada. De regresso a casa, sempre de mãos dadas, ainda íamos beber um copo e comer uma francesinha, se no dia a seguir fosse sábado.
Passaram alguns anos e apareceram os filhos. Aí a conversa era outra. Eu ficava de baby sitter…buscá-los ao infantário, regressar a casa, dar-lhes banho, jantar e adormecê-los. Ás vezes, acontecia, estar mais que um dos amigos (homens) na mesma situação e aí…montávamos uma mini creche na casa de um e era giro…só homens a tomar conta de canalha, com algumas peripécias à mistura, que não me atrevo a contar.
Entretanto, os filhos foram crescendo mas as obrigações continuavam, só com outra responsabilidade e já agora com a ajuda deles.
Nunca me deitei antes da minha mulher chegar. Calculava a hora dela sair e os kms que tinha que efectuar, para ir ter com ela à rua, abrir o portão da garagem, dar-lhe um beijo logo que saísse do carro e, tinha sempre uma caneca de chá bem quente (no inverno) ou um refresco bem geladinho (nas noites de verão) logo que entrasse em casa.
Os anos passaram… agora, essas obrigações profissionais são feitas mais esporadicamente e nunca à noite (a "velhice" é um posto), mas acontece, que ás vezes a ausência é maior. Felizmente que apareceram os telemóveis e as sms…”estou aqui se precisares de alguma coisa”.
- Boa noite, até amanhã.
Dorme bem. Amo-te muito.
- …eu sei. Amanhã já estou aí.
Boa viagem, cuidado com a estrada. Vai dando noticias.
- Está descansado. Beijo.
[esta noite a cama é grande demais para mim]
[mau…acho que estou mesmo a ficar “Kota”. Vou beber um cálice de Porto e…ainda não decidi…ainda não tenho sono]









17 comentários:
Adorei-ler-este-teu-lado...faz-me-reflectir-sobre-tantas-coisas...
Um "flash back" lindo que termina (continua) nos dias de hoje.
A ternura continua a ser um sentimento lindíssimo... e intenso.
É sem dúvida bastante comovente esta tua partilha, com todos nós, e particularmente comigo, sobre o dia-a-dia da tua vida quotidiana e intima, e a qual deixa transparecer o coração fiel, lúcido e extremoso que têns Alberto, o qual nos contagia e sensibiliza a todos nós. No fundo, este é o retrato vivo de alguêm que não pretendeu apenas absorver a felicidade para si próprio, mas reflectí-la para todos os que o rodeiam, e essa é a única diferença que nos faz ser realmente humanos na imensidão deste mundo. Muitas felicidades para ti, e saudações algarvias.
Muito bonito. A sério. Um beijo, Sr. Flores. (com este post, o nome fica-te mesmo bem!)
;)
Lindo....!!!
adorei ler este post...
espero que esta noite já tenhas companhia...
na minha vida contam-se pelos dedos da mão (uma chega e sobra!!) as noites em que dormi sozinha!
e, tal como tu, também não aprecio!
já te disse que gostei do teu post?
A vida a 2 é feita destas pequenas ternuras diárias que dão sabor e côr à vida e é sempre muito reconfortante ler esse testemunho por parte de alguém que as vivencia ao longo dos anos.
Adorei o teu post e a tua partilha.
Beijinhos :):)
ahh que fofooo!
Ter o maridinho em casa para nos receber no portão é fofo! Por acaso não tens um irmão gémeo que possua essas qualidades? :p
Beijos
essa noite a cama tb foi imeeeensa pra mim, adorei hehe
Já li este texto Aflores num intervalo da escola e gosto particularmente dele.Tem uma sensibilidade e um carinho no tratamento que deixa qualquer um como eu (também Kota)emocionado.A tua familia teve sorte com a pessoa que és.Já agora que todos continuem felizes.Gr. Abraço
Adorei o teu post! Comovente, à tua maneira . :)
Mas fiquei curiosa para saber que peripécias eram essas quando fazias de baby sitter...
Tive de tomar uma decisão, o meu blog vai ficar privado, se quiseres ter acesso por favor manda mail para myhandsoftime@hotmail.com
Gosto dos teus posts. Gosto desta forma de partilhar afectos, ocupações, preocupações. É a vida a pulsar.
Também me aconteceu o mesmo. Quem trabalhava assim era ele. Muitos Natais, muitas passagens de ano em serviço.
Beijo
Eu conheço-te!
Hoje sou eu que... ainda não tenho sono e adivinha, dei por mim aqui.
Só para mandar um beijo.
Já agora, dá (Tu e todos!)uma vista de olhos no "3º esquerdo..."©
http://www.afterhoursblogat.blogs.sapo.pt
delicioso..
Imagino que levastes alguns anos até chegar nessa situação de insônia. Eu pcom apenas 05 anos de casado já estranho a falta que minha esposa faz na hora de dormir. Logo eu que sempre fui tão bom de cama. Deitava e dormia de imediato. Quando ela não está demoro a dormir e me adianto no acordar.
Um abraço.
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