
Finalmente!
Após algumas birras com diversos departamentos de vários serviços, finalmente apanhei um que perante a pergunta: “…profissão?” , Não me respondeu “impossível no sistema” após ter dito: “…Doméstico!”
Eu explico:
Depois de ter ficado desempregado há uns anos atrás, ao fim de 32 anos seguidos de trabalho, com um curriculum quer académico quer profissional que muitos não possuem, e naquela idade em que és novo para a reforma e velho para trabalhar, não me preocupei muito até porque tinha a minha vida controlada e já a “contar” que um dia mais cedo ou mais tarde eu pertenceria ao “clube”.
Nada de ressentimentos…mas elas não matam mas magoam. Assim, aos poucos recuperei física e psicologicamente para uma “nova etapa” ou melhor dizendo uma nova fase da vida.
- Arranjar emprego com os meus conhecimentos e experiência, compatível com uma remuneração justa (que na altura recebia) era quase um sonho daqueles impossíveis de concretizar;
- Montar negócio para estar entretido (?) como um dia me disse uma técnica do IEFP, nem pensar;
- Aprender outra profissão? Não!
Durante anos tornei-me num profissional altamente qualificado. Evoluí com o avançar do tempo, graças a vontade própria e à custa de diversas formações de iniciativa pessoal ou por parte da entidade patronal (devemos estar sempre actualizados), e não estava minimamente interessado em montar negócio ou aprender nova profissão (ás vezes a troco de mísero vencimento), só para melhorar as estatísticas governamentais.
Sendo assim e para acabar a conversa, descobri em mim um certo gosto pela actividade de “Doméstico” em parte já exercida. Afinal, se estivesse a trabalhar tinha que ter uma empregada, e para além disso a parte da gestão dos recursos financeiros familiares continuavam a meu cargo.
Dito e feito. Após reunião familiar e aprovação por unanimidade, a seu tempo despedi a empregada (também fui despedido pela crise…não tenho culpa), passando a ser o doméstico cá do sítio, acumulando as funções (que já tinha) de gestão dos “gravetos”.
Ficou em acta que não teria direito a vencimento, mas estava autorizado a folgar as horas necessárias por semana (incluindo transporte) para idas ao ginásio/tratamentos, folga ao sábado ou domingo todo o dia (dependendo dos compromissos da "dona da casa") e um mês de férias! Nada mau, partindo do princípio que também não seria alterada a questão de continuar a dormir com a patroa e a sair com ela. :))))
O problema (para mim nunca o foi) é que sempre que preenchia ou respondia à pergunta “profissão?” ninguém aceitava a resposta Doméstico!
O sistema não aceita (diziam uns); Desempregado? (diziam outros) …que eu saiba desempregado não é profissão, mas sim situação profissional;
«Está a gozar comigo?» Disse uma vez um funcionário das Finanças…ao que eu respondi muito educadamente: “Façamos de conta (mas façamos mesmo) que EU, respondo Médico, e o senhor coloca no computador o código referente a essa profissão, certo? [certo]. De seguida pergunta a profissão da minha mulher e eu respondo…respondo…adivinhe…DOMÉSTICA! [isso é diferente…o sistema aqui ainda faz separação de sexos]
Ahahahahhaha
E mulheres que são polícias, condutoras de pesados, elementos das forças armadas? O sistema não aceita? ENTÃO!?...porque motivo não aceita um Gaijo DOMÉSTICO??
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Contei esta pequena história (antiga e verídica!), só para dizer que finalmente tudo aponta para que a partir de 1 de Março eu suba de posto. Passo a ser "Doméstico Graduado" :o).
Até lá, vamos aguentando a diferenciação de sexos em determinadas profissões e deitando a culpa ao computador/sistema.
Tudo de bom.
:)
;)